Sujeita às incertezas do acaso

I
Vejo que você continua aqui,
Mesmo depois de ter ido embora.
Permita-se estar, já que veio.

II
Deite-se em meu regaço.
Deixe-me rir da sua cara amassada,
Pegar-lhe a mão e sumir pela estrada.

III
Dói-me te ver assim,
Cansado de tudo.
O silêncio gritava por toda parte
E chorar foi o que restou.

IV
Brisa boa essa que passou aqui,
Tem cheiro de quietude na alma.
Como a alegria de uma flor
Ao receber seus primeiros raios de sol pela manhã.

V
O passado nunca quer ser esquecido,
Ele tenta de todas as formas ser lembrado.
A forma como lidamos com ele muda a visão do presente.
E mais uma vez depois de muitas idas e vindas: você

VI
Que belas árvores a me rodear!
Ter enfim a leveza de poder sentir o vento
Passear pela minha nuca.

VII
Por alguns minutos me vi ser plateia no meio de uma guerra.
Presenciei de perto: luta, falta de caráter e perspectivas.
Dia de muito aprendizado e pavor.

VIII
A melhor prova de amor próprio
É nunca desistir de si mesmo.
Só quem escreve sabe o real valor da escrita.

IX
Um passo de cada vez.
Ver essa grande abóboda celeste
E o tamanho da sua imensidão me enche de esperanças.
O universo me acolhe em seus braços
E tudo em minha volta é paz.

X
Gratidão.

Entre o nascer do Sol e o meio-dia

foto_2305Juro pelo sangue que escorre pelas minhas pernas
Que você é o tormento dos pecados dela.
Juro pelas minhas unhas descascadas,
Pela minha alimentação mal criada,
Que às vezes ela se distrai lembrando da sua risada.
Juro também pela minha dor nas costas
E pelo cabelo que ainda me resta,
Que no domingo ela passou o dia falando do beijo daquela festa.
Juro pela minha mão canhota
E pelas melancias que ainda não comi,
Que nas minhas andanças amor maior eu nunca vi.

É seu, desde que você queira

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Escrevo mais um poema para você,
Mas sinto que talvez você não leia,
Pois nunca se importou muito
Com as coisas que escrevo,
Mas espero que esse você queira

Já faz um tempo
já faz alguns anos,
Mas sempre me escondi
Por entre os panos

Nunca soube dizer
E ainda não sei,
Mas esses dias chuvosos
Lembram você

Lembram pelo cheiro
Que a chuva tem,
Aquele cheiro de saudade,
E do barulhinho suave que dela vem

A verdade é que sou pequena e frágil,
Talvez eu tenha demonstrado ser forte.
Todo dia me pergunto
Se o que eu sinto por você
é azar ou sorte

Mesmo que você me ame
Eu não poderia me entregar,
Pois me entregaria
De uma forma tão solta
Que poderia te assustar

Tudo que escrevo é sincero
E é a minha maneira de falar,
Já que não sei me desprender
Desse vício que é te amar