Alice

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Pequenina e frágil
Como uma boneca de porcelana
Adorava correr na areia fria e rodar na chuva,
Feito uma baiana

Passava seus dias olhando os carros pela janela.
Adorava sair da rotina e comer tapioca.
Pulava corda como ninguém
E vivia falando farinha com a boca cheia de farofa

Alice sempre tão alegre
Apreciava passear perto das flores,
Ouvir o canto dos pássaros, as notas de piano,
E ler histórias de antigos escritores

Mas ninguém conhecia Alice como eu
Nem mesmo aquele que se dizia íntimo dela
Minha pequena Alice possuía medos
E eu sempre fui a única que a colocava no colo para dormir

Mesmo gostando de comer pipoca com brigadeiro
Alice também tinha sonhos e solidão
Vivia em um mundo cheio de gente,
Mas sempre se sentia sozinha no meio da multidão

Ela escrevia sua história todos os dias
E sem saber que se autobiografava
Vivia seus dias cheios de energia
Caminhando na areia molhada da praia

Alice sempre me dizia que os adultos são como os Dentes-de-leão
Nascem, crescem, acordam as cinco da manhã, se fecham no final da tarde
E com um simples sopro da vida eles partem

Desencontros

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Teresa era calada,
Pedro era sonhador,
Teresa sentia frio,
Pedro sentia amor

Teresa morava sozinha,
Pedro vivia cantando,
Teresa ouvia a vizinha,
Pedro vivia sonhando

Teresa gostava de pimenta,
Pedro de limão,
Teresa beijava menta,
Pedro, emoção

Pedro fazia natação,
Teresa só caminhava,
Pedro amava macarrão,
Teresa apenas sambava

Teresa foi de escada,
Pedro de elevador,
Teresa ficou suada,
Pedro sentiu calor

Teresa bateu na porta,
Pedro esqueceu a chave,
Teresa levou uma torta,
E o dia seguiu suave

Teresa voltou cansada,
Pedro ia pelo corredor,
Pedro voltou de escada,
Teresa de elevador

Pedro foi de bicicleta,
Teresa foi a pé,
A rua estava quieta,
E a canção seguiu de pé

Teresa sentia falta,
Pedro sentia solidão,
Teresa tocava flauta,
Pedro tocava violão

Pedro sempre viajava,
Teresa fumava cigarro,
Quando fazia frio
Pedro se embrulhava,
Teresa saia de carro

Teresa era misteriosa,
Pedro era brincalhão,
Teresa não era medrosa,
Pedro gostava do Japão

História bonita de se ler
Em meio a tantos lances
Seria bonito de ver,
Mas isso não é um romance

Pedro morreu em 86
Teresa nasceu em 93, em uma ferrovia
Pedro é lembrado em fotos e papeis,
Teresa é prostituta na Bolívia