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Querido Scott,
Hoje terminou mais uma fase do meu percurso, graças ao nosso trabalho. Já tem um tempo em que fazemos tudo isso dar certo, confesso que se não fosse a sua força de vontade eu nunca iria conseguir sozinha, até porque sou pessimista demais para achar que algo algum dia poderia dar certo para mim. Hoje, penso que a forma como você me fazia rir transformava tudo que era sério e formal em algo simples e bobo, a ponto de deixar meus dias menos banais e sem vida. A nossa maior semelhança sempre foi adorar os dias chuvosos, não porque dias assim são aconchegantes para uma bela noite de sono, mas por terem um ar tão nostálgico e pessoal. A noite era o nosso refúgio, passávamos horas discutindo assuntos e ideias que muitas vezes foram esquecidos ali mesmo. Em um quarto pouco iluminado, com paredes rachadas e um guarda-roupa antigo, nosso pequeno sossego. Mas você sempre teimou em achar que o amor era a resposta para tudo, não é mesmo? Sempre achou que ele poderia salvar o presente, afinal, você ria do passado e imaginava um futuro em que as batatas fritas iriam dominar o mundo. Nunca se importou com algo que ainda não conhecia e que estava por vir. Mas eu não, passava os dias temendo o amor e o futuro. Como consegue ser tão frio a ponto de não temer o desconhecido? Sugiro que sua mania de achar graça em tudo esteja envolvida nisso. Eu poderia falar sobre os meus dias, mas eles nunca foram tão interessantes assim, portanto, deixo esse pequeno assunto, que não é nada estimulante, para outro momento. Só escrevi mesmo porque lembrei de você por esses dias, afinal, aqui tem chovido bastante e essa sempre foi a nossa maior semelhança.
Com carinho,
Morgana.

Teu cantar

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Em um barquinho de papel
Percorri as cordas do teu violão,
Que seguiram vagando
Por entre as rimas e o refrão

Um mar de letras
Eu ia remando,
E o vento forte
Trazia as notas
Que a chuva ia levando

De repente o sol aparece,
E com ele uma canção pra relaxar,
Melhorando todo o meu dia
De navegante do alto mar

De noite o mar se agitava,
Tornando todo aquele momento real,
E ao solo de guitarra
Eu escutava a fúria do metal

A cada canção
Eu velejava sem parar,
E sem perceber, me afoguei
No teu cantar