Alice

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Pequenina e frágil
Como uma boneca de porcelana
Adorava correr na areia fria e rodar na chuva,
Feito uma baiana

Passava seus dias olhando os carros pela janela.
Adorava sair da rotina e comer tapioca.
Pulava corda como ninguém
E vivia falando farinha com a boca cheia de farofa

Alice sempre tão alegre
Apreciava passear perto das flores,
Ouvir o canto dos pássaros, as notas de piano,
E ler histórias de antigos escritores

Mas ninguém conhecia Alice como eu
Nem mesmo aquele que se dizia íntimo dela
Minha pequena Alice possuía medos
E eu sempre fui a única que a colocava no colo para dormir

Mesmo gostando de comer pipoca com brigadeiro
Alice também tinha sonhos e solidão
Vivia em um mundo cheio de gente,
Mas sempre se sentia sozinha no meio da multidão

Ela escrevia sua história todos os dias
E sem saber que se autobiografava
Vivia seus dias cheios de energia
Caminhando na areia molhada da praia

Alice sempre me dizia que os adultos são como os Dentes-de-leão
Nascem, crescem, acordam as cinco da manhã, se fecham no final da tarde
E com um simples sopro da vida eles partem

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A expressão mais alta de aconchego

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Seja forte
Seja abraçando
Seja alegre
Seja cantando

Seja céu
Seja determinada
Seja dormindo
Seja acordada

Seja feliz
Seja cansada
Seja rezando
Seja amada

Seja mar
Seja dançando
Seja sorrindo
Seja cozinhando

Seja guerreira
Seja flor
Seja jardim
Seja temida
Seja chorando
Seja estrelas
Seja sonhando

Seja sol
Seja nuvem
Seja o que quiser
Seja por todo eterno
E para sempre essa mulher

 

Vez uma era

Era uma vez ele
E dele era uma vez
Era uma vez um tímido
Um tímido assustado era
Era um, era

Era ele que me esqueceu
Que me esqueceu com poucas palavras
Com poucas me deixou palavras
Com o silêncio me deixou
Era uma vez eu deixada

Era uma vez ele
Ele que andava com passos pequenos
Com passos amargos
Amargos como seu sorriso
Sorriso amável esse
Esse sorriso

Doce era uma vez
Vez que logo esqueci
Esqueci dos seus cabelos
Cabelos negros
Negros os cabelos que sua mão alisava
Mãos pálidas as que alisavam
Mãos que alisam outras

Era uma vez
Uma vez que já não é mais, era
Era belo e feio
Era alegre e chato
Era e era
Do que importa? Já era.