Alice

zzad

Pequenina e frágil
Como uma boneca de porcelana
Adorava correr na areia fria e rodar na chuva,
Feito uma baiana

Passava seus dias olhando os carros pela janela.
Adorava sair da rotina e comer tapioca.
Pulava corda como ninguém
E vivia falando farinha com a boca cheia de farofa

Alice sempre tão alegre
Apreciava passear perto das flores,
Ouvir o canto dos pássaros, as notas de piano,
E ler histórias de antigos escritores

Mas ninguém conhecia Alice como eu
Nem mesmo aquele que se dizia íntimo dela
Minha pequena Alice possuía medos
E eu sempre fui a única que a colocava no colo para dormir

Mesmo gostando de comer pipoca com brigadeiro
Alice também tinha sonhos e solidão
Vivia em um mundo cheio de gente,
Mas sempre se sentia sozinha no meio da multidão

Ela escrevia sua história todos os dias
E sem saber que se autobiografava
Vivia seus dias cheios de energia
Caminhando na areia molhada da praia

Alice sempre me dizia que os adultos são como os Dentes-de-leão
Nascem, crescem, acordam as cinco da manhã, se fecham no final da tarde
E com um simples sopro da vida eles partem

Anúncios

Existência

Desaparecer, sumir, ausentar
Apenas no meu próprio silêncio quero me encontrar
Ser, experimentar, voar
Abrir os olhos e no azul do céu viajar

Correr com os pés no chão vivo
Sentindo no rosto o vento forte.
E que os bons ventos possam trazer o infinito
Com uma pitada de boa sorte

Muitas vezes me deixei afogar no fundo de uma piscina,
Porque nela encontrava o silêncio que eu precisava.
Caminhei sobre folhas secas e finas,
Pois elas faziam um barulhinho que eu adorava.

Sentir com lucidez poucos conseguem
É muito mais fácil perder-se

Útero Mãe

corpo-altar

A floresta é minha casa
E a lua é quem me guia
Sou virgem santa
E mãe geradora dos meus filhos

Sou esposa de mim mesma
Sou filha da divina terra
E o meu corpo gera luz

Nas minhas veias correm sangue da mata viva
E é dele que sou nutrida
E meus cabelos são os galhos das árvores

Sou grito e silêncio
Sou luz e escuridão
Sou sorriso e choro
Sou útero que gera e nutre

Sou a delicadeza e a força
Sou ignorância e autoconhecimento
Sou casta e à agonia das minhas dores de parto

Os meus seios são flores
Que abraçam o mundo e o alimentam.
Do céu as estrelas me guiam
E da selva verde eu nasci

Homenagem: Os Evangelhos Gnósticos de Elaine Pagels

Toma-me

nugj

Concedo-te o que sou
Mas não por luxúria
Ou por anseio

Entrego-te o que não mostro a outrem:
Meus singelos segredos

Entrego-me ao teu colo
Porque nele encontro paz
E sinto-me abrigada em carinho

Renasço em teus braços
Pelo sossego que eles proporcionam-me
E pelo simples toque entre nossas mãos
Permito-me a ti

Não possuo bagagens antigas
Tenha-me como sou no presente
Toma-me como tua menina

Postado em Sem categoria

Entregue-se

large

Desprenda-se do que te aprisiona
Sinta o sopro do vento
Escuta o canto dos pássaros
E sossega os teus pensamentos

Liberta-te do egoísmo
Solta o teu eu escondido
Aprecie o som da natureza
E se sentirá menos perdido

Coloca os teus pés no chão
Deita na grama macia
Sinta o universo a sua volta
E conhecerá a plenitude divina

Vive o teu dia agora
Dança se quiseres dançar
Canta se quiseres cantar
Que naturalmente tudo se aflorará

Sobre o que iremos brindar?

dsfdsfds

A tanto a ser brindado
Que nem sei por onde começar.
Poderia ser pela poeira do chão
Ou pelo meu quarto que esqueci de arrumar

Um brinde,
Mas que refresque o sertão.
Depois um gole,
Para saciar a boca e o coração

Um brinde!
Ao sol que está por nascer
Fazendo o dia clarear teu rosto
E do mais belo jardim um mar de rosas florescer.

Um brinde!
A felicidade do desconhecido,
Ao mais solitário coração partido,
E a lua que me faz companhia
Enquanto eu rabisco poesia.

Um brinde!
A tu, a nós, a vós, eles, elas
E a nada.

Um brinde!
Ao que bebe e ao que sente sede.
Um brinde!
Ao ranger do embalar da rede.

Um brinde!
Ao chuvisco,panela, chinelo, universo,
Sorriso amarelo e ao sonhador.
Um brinde!
Ao mendigo, malabarista, pinchador, violinista e ao catador.

Um brinde!
Ao bêbado que brinda
E contempla o sabor da bebida.
E por fim, um brinde
Ao meu discurso que aqui finda.

Tu que não bebes, meu bem, apenas brinda!

Postado em Sem categoria