Sujeita às incertezas do acaso

I
Vejo que você continua aqui,
Mesmo depois de ter ido embora.
Permita-se estar, já que veio.

II
Deite-se em meu regaço.
Deixe-me rir da sua cara amassada,
Pegar-lhe a mão e sumir pela estrada.

III
Dói-me te ver assim,
Cansado de tudo.
O silêncio gritava por toda parte
E chorar foi o que restou.

IV
Brisa boa essa que passou aqui,
Tem cheiro de quietude na alma.
Como a alegria de uma flor
Ao receber seus primeiros raios de sol pela manhã.

V
O passado nunca quer ser esquecido,
Ele tenta de todas as formas ser lembrado.
A forma como lidamos com ele muda a visão do presente.
E mais uma vez depois de muitas idas e vindas: você

VI
Que belas árvores a me rodear!
Ter enfim a leveza de poder sentir o vento
Passear pela minha nuca.

VII
Por alguns minutos me vi ser plateia no meio de uma guerra.
Presenciei de perto: luta, falta de caráter e perspectivas.
Dia de muito aprendizado e pavor.

VIII
A melhor prova de amor próprio
É nunca desistir de si mesmo.
Só quem escreve sabe o real valor da escrita.

IX
Um passo de cada vez.
Ver essa grande abóboda celeste
E o tamanho da sua imensidão me enche de esperanças.
O universo me acolhe em seus braços
E tudo em minha volta é paz.

X
Gratidão.

Anúncios

Rend-toi

Détachez-vous de ce que vous emprisonne
Sentez-vous le vent souffler
Écoutez le chant des oiseaux
Et tranquillise vos pensées.

Libérez-vous de l’égoïsme
Libérez votre soi caché
Profitez du son de la nature
Et vous vous sentirez moins perdu.

Mettez vos pieds sur le sol
Allongez-vous sur l’herbe tendre
Sentez-vous l’univers autour de vous
Et connaissez la plénitude divine.

Vivez votre jour maintenant
Dansez si vous voulez danser
Chantez si vous voulez chanter
Bien sûr, tout va s’affleurer.

Ser

dfdsa

Dar o primeiro passo para o desconhecido não é uma tarefa fácil,
Nunca se sabe o que pode acontecer no caminho.
Mas é preciso ser ágil
E seguir o seu próprio destino.

Se trancar em uma bolha parece seguro,
A vida é tão agradável por um certo tempo.
De repente ela estoura e tudo se torna obscuro,
E eu fico perdida no meio do espaço-tempo.

Perdida no meio de medos e inseguranças
Que invadem o meu corpo por severos dias.
A mente sussurra palavras de confiança
E eu escuto achando que estou sendo bem acolhida.

Tudo é tão confuso e incerto.

Mas lá fora o sol possui raios tão bonitos,
E a grama encanta os olhos com o seu verde cor de relva.
Porém se desprender da mente consiste em um grande conflito.
É como sair de um labirinto no meio da selva.

Todos possuem livre-arbítrio, mas poucos sabem usar da maneira correta!
Qual seria a melhor escolha?

Saí querendo me encontrar.
Fui em busca do autoconhecimento.
Sabendo que não seria uma escolha fácil,
Ainda permaneço em andamento…

Alice

zzad

Pequenina e frágil
Como uma boneca de porcelana
Adorava correr na areia fria e rodar na chuva,
Feito uma baiana

Passava seus dias olhando os carros pela janela.
Adorava sair da rotina e comer tapioca.
Pulava corda como ninguém
E vivia falando farinha com a boca cheia de farofa

Alice sempre tão alegre
Apreciava passear perto das flores,
Ouvir o canto dos pássaros, as notas de piano,
E ler histórias de antigos escritores

Mas ninguém conhecia Alice como eu
Nem mesmo aquele que se dizia íntimo dela
Minha pequena Alice possuía medos
E eu sempre fui a única que a colocava no colo para dormir

Mesmo gostando de comer pipoca com brigadeiro
Alice também tinha sonhos e solidão
Vivia em um mundo cheio de gente,
Mas sempre se sentia sozinha no meio da multidão

Ela escrevia sua história todos os dias
E sem saber que se autobiografava
Vivia seus dias cheios de energia
Caminhando na areia molhada da praia

Alice sempre me dizia que os adultos são como os Dentes-de-leão
Nascem, crescem, acordam as cinco da manhã, se fecham no final da tarde
E com um simples sopro da vida eles partem

Existência

Desaparecer, sumir, ausentar
Apenas no meu próprio silêncio quero me encontrar
Ser, experimentar, voar
Abrir os olhos e no azul do céu viajar

Correr com os pés no chão vivo
Sentindo no rosto o vento forte.
E que os bons ventos possam trazer o infinito
Com uma pitada de boa sorte

Muitas vezes me deixei afogar no fundo de uma piscina,
Porque nela encontrava o silêncio que eu precisava.
Caminhei sobre folhas secas e finas,
Pois elas faziam um barulhinho que eu adorava.

Sentir com lucidez poucos conseguem
É muito mais fácil perder-se

Útero Mãe

corpo-altar

A floresta é minha casa
E a lua é quem me guia
Sou virgem santa
E mãe geradora dos meus filhos

Sou esposa de mim mesma
Sou filha da divina terra
E o meu corpo gera luz

Nas minhas veias correm sangue da mata viva
E é dele que sou nutrida
E meus cabelos são os galhos das árvores

Sou grito e silêncio
Sou luz e escuridão
Sou sorriso e choro
Sou útero que gera e nutre

Sou a delicadeza e a força
Sou ignorância e autoconhecimento
Sou casta e à agonia das minhas dores de parto

Os meus seios são flores
Que abraçam o mundo e o alimentam.
Do céu as estrelas me guiam
E da selva verde eu nasci

Homenagem: Os Evangelhos Gnósticos de Elaine Pagels